Como superar as tentações da carência: a parábola do rei

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Se você não tem parceira(o) sexual no momento e é frequentemente invadido por uma onda avassaladora de desejo - um impulso para buscar naquele velho hábito de PMO o suposto alívio para a carência - e não sabe onde conseguir forças para resistir, te proponho a seguinte parábola.

Certa vez um rei, prevendo a escassez de alimentos que estava por vir, decidiu suspender as grandes festas que eram realizadas no reino e armazenar os alimentos nos celeiros, para poder garantir o fornecimento do alimento cotidiano à população durante um período longo de tempo.

Ao saber do cancelamento das festas, nas quais fartas mesas eram postas com comida e bebida à vontade, o povo ficou revoltado. Provocada por alguns agitadores, a multidão enfurecida se dirigiu ao castelo.

Reunido com os conselheiros na torre, o rei temia que o palácio fosse invadido e saqueado. Pensava em desistir da decisão e abrir os celeiros, para que o povo furioso levasse quanto alimento quisesse e se acalmasse. Pensava também em se esconder até que todos fossem embora. Até que uma pedra, lançada de baixo, atravessou violentamente a janela da torre e caiu sobre a mesa onde estavam reunidos.

Um conselheiro, então, ponderou: “É preciso que vossa Majestade vá falar ao povo”.

“Como?”, o rei respondeu assustado. “Eles estão furiosos comigo!”

“Se vossa Majestade apenas entregar os alimentos, acalmará a ira do povo, mas em breve todos sofrerão gravemente com a escassez. Se ficares escondido aqui, o povo cedo ou tarde saqueará e destruirá o castelo. Porém, se fores publicamente mostrar que reconhece as necessidades deles, e que precisou tomar a medida para poder garantir que todos terão condições de se alimentar durante a crise, existe uma chance de te ouvirem e colaborarem contigo”.

Sem alternativas, o rei aceitou o conselho e foi à sacada da torre, onde podia ser visto pela multidão, para se pronunciar. Reconheceu a falta que o povo sentia das festas, e declarou que tomou tal decisão por estar empenhado para que não faltasse o pão cotidiano nas mesas. Ao ouvir o pronunciamento do soberano, o povo foi aos poucos se acalmando. Sentiram que o rei não os havia abandonado, e que estava se esforçando verdadeiramente pelo seu bem-estar. Assim, os súditos retornaram às suas tarefas, colocando empenho adicional para superar a escassez e conduzir o reino à prosperidade.

Teu corpo é um reino com bilhões de células, cada qual com a sua função. Você é o soberano, que governa esse grande coletivo em direção aos objetivos que determina para sua vida. Até então, para aliviar as tensões da população, você promovia aquelas “festas” bizarras, que esbanjavam hormônios e dopaminas em alguns breves instantes de satisfação, à custa de escassez e miséria durante longos períodos. A velha política do “pão e circo”, para quem lembra a história de Roma.

Porém, agora mais esclarecido, decidiu suspender esses eventos para poder dispor dos recursos de forma inteligente e levar seu reino à prosperidade e a objetivos mais nobres. A decisão, entretanto, causou tumulto entre os seus súditos, que já estavam habituados a se empanturrar nas festas e ficarem temporariamente anestesiados, mais cansados do que satisfeitos, até sentirem novamente a tensão e a necessidade desse alívio. A multidão caótica te cerca, ameaçando invadir o castelo e te saquear. Que fazer? Entregar-se? Esconder-se?

Experimente conversar com as células do seu corpo. Parece coisa de doido? Não se preocupe. Talvez seja mesmo, mas dá resultado. É o que faço quando estou nessa situação. Diga ao seu corpo que compreende a carência que ele sente; carência de afeto, de toque, de calor. Diga que também deseja encontrar uma pessoa companheira, para ter momentos reais de intimidade e carinho. Diga que, por isso mesmo, não iremos mais fazer aquelas “festas”, pois apenas jogam energia no ralo e nos deixam esgotados, sem condições de conquistar a verdadeira felicidade. Peça ao seu corpo um voto de confiança e a colaboração para que possamos continuar trabalhando, nos tornando uma pessoa melhor e construindo um caminho para relacionamentos saudáveis, que irão saciar a fome não por um instante, mas de forma perene.


Inspirado na fala de Divaldo Franco, “Sexo e Consciência”, em https://www.youtube.com/watch?v=O_nYn3cmCak

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Desafio Fevereiro Sem Fapar
#2

Cara, que bonito. Obrigado por ter construído isso. É uma forma muito intensa e comovente de enxergar o próprio corpo, e como se trata de cuidado e não de privação pura e simples. De modo geral, quando só lutamos e caímos vez após vez com pouco progresso, o que acontece é que a gente está virando as costas pro nosso corpo, sem querer enxergar muito bem o que estamos passando, né?? Muito interessante essa ideia de associar a sabedoria do governante com uma maturidade necessária pra vida adulta.
hehe minha mãe curte muito falas de Divaldo x)

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#3

Perfeita comparação, certamente preciso governar melhor meu corpo. Partiu colocar em prática.

Parabéns pelo tópico!!

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#4

Texto maravilhoso
Devemos realmente falar com o nosso corpo, comandá-lo a nosso favor e esse texto diz isso de modo magistral.

FFF (Foco, Força e Fé)

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